Deus Filho
- 27 de jan.
- 2 min de leitura

É interessante notar como o fato histórico singular da concepção virginal de Maria, conforme relatado nos Evangelhos, revela de modo claro a ação conjunta e a presença da Santíssima Trindade na economia da salvação. A encarnação não é um evento isolado, mas um ato trinitário: o Pai envia, o Filho assume a natureza humana e o Espírito Santo opera o milagre da concepção.
O Filho de Deus, segunda pessoa da Santíssima Trindade, existe desde toda a eternidade. Ele não passa a existir no tempo, mas, no evento da encarnação, passa a habitar entre os homens, assumindo a natureza humana sem deixar de possuir plenamente a natureza divina. Assim, em Cristo, confessamos a união hipostática: uma única pessoa em duas naturezas, verdadeira divindade e verdadeira humanidade.
Enquanto verdadeiro Deus, o Filho é detentor dos atributos próprios da divindade, o que o caracteriza como consubstancial ao Pai, isto é, participante da mesma essência divina. Eternidade, onipotência e onipresença são atributos incomunicáveis, pois pertencem exclusivamente a Deus tal como Ele é em si mesmo. Esses atributos não são concedidos ao Filho, mas lhe pertencem por natureza, pois o Filho é Deus.
Um vislumbre dessa glória eterna do Filho é concedido no relato da Transfiguração, conforme testemunhado pelos evangelistas. Nesse episódio, Moisés e Elias aparecem ao lado de Cristo: Moisés representa a Lei, e Elias, os Profetas. Ambos testemunham que Jesus é o cumprimento pleno da revelação veterotestamentária, confirmando sua identidade divina e messiânica.
Além disso, uma voz audível vinda do céu declara: “Este é o meu Filho amado”. Tal testemunho não indica uma filiação adotiva ou funcional, mas afirma que Jesus é Filho por natureza, eternamente gerado do Pai, consubstancial com Ele, conforme a linguagem clássica da fé cristã. Trata-se de um só Deus que subsiste eternamente em três pessoas distintas: Pai, Filho e Espírito Santo.
O envio do Filho ao mundo teve um propósito específico e glorioso: a redenção da humanidade. Cristo foi enviado para realizar a obra salvífica que nenhum outro poderia cumprir. Por isso, a Escritura afirma que não há outro mediador entre Deus e os homens, senão Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, capaz de reconciliar o humano com o divino.
Alguns dos apóstolos foram testemunhas diretas desses momentos sublimes de revelação. Eles contemplaram antecipadamente a glória daquele que, em amor, estava prestes a se entregar por eles e por toda a humanidade. Assim, a revelação da identidade do Filho caminha lado a lado com a revelação do amor redentor de Deus, que culminaria na cruz e na ressurreição.
Você vai gostar também de:
Curso Online: Introdução à Teologia
Selecione a imagem e saiba mais!




Comentários